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Para refletir




A superioridade absoluta da Vida e a necessidade absoluta de Compaixão!

Passamos hoje do marco de cem mil vítimas da pandemia. Cem mil. Cem mil brasileiros. Cem mil corações que se silenciaram, cem mil sonhos que se perderam, cem mil consciências que deixaram de existir. Impossível dimensionar essa perda. Impossível superar essa dor.

A Vida é tão rara...

A sofrida trajetória humana, desde seu nascedouro, sempre foi marcada pela dor, pela morte, pelas guerras, pelas tragédias, pela doença.

Porém, no atual estágio de desenvolvimento tecnológico e científico em que nos encontramos, se possível não fosse impedir a perda de todas essas pessoas, possível seria evitar que se fossem tantas, de forma tão cruel, tão solitária...

Esperava-se a cura do mal, mas a loucura fingia que tudo era normal...

Tivemos tempo para isso. Quando o vírus chegou até nós, sabíamos a desgraça que estava por vir e sabíamos como evitar que essa desgraça fosse tão intensa, tão longa e tão nefasta.

Mas a doença foi girando cada vez mais veloz, enquanto tudo pedia pressa...

Enquanto isso, nos perdíamos em discussões frívolas, patinávamos em disputas ideológicas, gastávamos recursos em medidas inócuas, ouvíamos discursos obscurantistas, malévolos, cruéis, fruto, não de um breve destempero, ou de um momento de pouca lucidez, mas fruto de uma visão deturpada, doentia, impregnada de desvalor pelo mais supremo dos direitos humanos, o direito à vida.

Será que faltou tempo para perceber... Ou será que faltou dignidade para reverter...

Nada é superior à Vida. Na gradação dos direitos, a vida ocupa a primazia, a superioridade absoluta, como valor em si mesmo, e como premissa indispensável para os demais direitos reconhecidos ao ser humano, e para tudo o mais que a sociedade criou. Não há, nem pode haver, contradição entre o direito a vida e qualquer outro direito, valor ou interesse, individual ou coletivo. Qualquer tentativa de estabelecer antagonismo entre o direito à vida e qualquer outro é falaciosa, tendenciosa, manipuladora e criminosa.

A Vida é tão rara...

Cada ser humano é único. Irreproduzível em sua dimensão psicológica, existencial e espiritual. Essa singularidade e originalidade humana, torna essa nossa tragédia nacional ainda maior. Irreparáveis são essas perdas. Irreparáveis são as dores e as lágrimas vertidas por milhares de famílias. Irreparáveis são os efeitos futuros que todo esse descaso, todo esse desamor, todo esse nefasto desprezo para com a vida de semelhantes provocará em nossa sociedade.

Não se pode ter calma... Pede-se um pouco mais de alma...

Um pouco mais de alma. Um pouco mais de compaixão. Um pouco mais de empatia, de solidariedade com o sofrimento alheio, um pouco mais de civilidade, de altivez de caráter. Um pouco mais de humanidade. Um pouco mais de dignidade de espírito.

Não se pode ter calma...

Afinal, a vida é tão rara...


Almir Morgado

Presidente Emérito da ADERJ.

Filho de uma das cem mil vítimas da loucura total que se instalou entre nós.

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